domingo, 23 de setembro de 2012

PRECOCEMENTE, O OUTONO


PRECOCEMENTE, O OUTONO


Dantes tinha muitos amigos, bebíamos e cantávamos enquanto o rio desaguava a desoras no cais da ribeira, junto às margens do teu corpo. Não tínhamos sede, nem pressa de chegar. A vida em delta, foi-nos separando, mas tudo parecia continuar a fazer sentido.

 

Agora, os amigos desse tempo abrigam-se quase todos na memória, o céu mudou de cor e já não há mar que nos sossegue.

 

Quero de volta o azul e não consigo. Telefono, escrevo, envio mails, mas sinto-me estranho na vídeo-conferência.

 

Levantamos os copos – que estão vazios ou meio-cheios – numa comunhão que antes entendia ser perfeita e sinto que já não há sagração possível. O tempo, diz a meteorologia e a cor dos teus cabelos, mudou...

arlindo mota

foto: apm

4 comentários:

Por Amor disse...

Que belo meu amigo Arlindo...A vida é assim...sei exatamente o que sentes pelo que dizes ...Vamos aos poucos vendo as cores mudar...em nós ..na vida ...em fim em tudo...já que elas vão mudar de qualquer jeito ...celebremos pois as mudanças ...a moda antiga ...um belo domingo pra te ...parabéns Pedro Pugliese

OUTONO disse...

...ciclos contínuos, meu caro Arlindo...

Filipe Campos Melo disse...

Primeiro a eternidade era incertamente certa
uma forma de promessa

Depois veio o tempo
uma alteração inversa
em inevitável mudança

Inquieto é o verso erguido em azul esbatido


Abraço

mariam disse...

...mas em cada ciclo haverá sempre a beleza ocre das folhas, o cheiro da terra acabada de se molhar, os amigos, mesmo os que não estão próximos...

adorei o poema

beijinhos :)
mariam