sexta-feira, 27 de março de 2009

RENASCER DE NOVO

I


Cibele, acrisolada nos seus olhos húmidos, apelava à demasia da

vida, buscando na solidão alimento para a inquietude.


Sabia que, muitos anos volvidos, a repetição dos seus gestos, aparentemente inúteis,

eram como que uma flor resguardada de ventos, por entre o ímpeto reprimido de

paixões.

II


Dia a dia, mecanicamente, resistia ao luar e ao sol, a luz natural ofuscava-lhe essa

ténue alegria que guardava, secreta e compungida.


Certos dias, raros, chispavam em si o brilho do desejo, e viam-na caminhar,

solitária, o rosto e a voz ocultando o mais profundo do seu ser.


III

Que fazer, afinal, dessa flor tão serenamente resguardada,

cuja seiva era a dádiva de uns olhos permanentemente

húmidos?

IV

Nesse dia, igual a tantos outros, subitamente,

irrompera nela uma vontade, inesperada,

de partilhar o sonho, a maresia, o calor

ou a geada, mesmo que o tempo persistisse

a monótona cidadela de um Outono.


Soubera, enfim, que renascera para a vida.



Poema: apm



Foto: apm

sábado, 21 de março de 2009

MEDITAÇÃO

Quem controla o desejo, a emoção

ou a ternura?

A paleta, responde o pintor.

A palavra, atalha o poeta.

Juntos, distribuem a luz

Que inunda de cor o planeta.


Poema: apm
DIA MUNDIAL DA POESIA

ENCONTRO HEXAGONAL

O encontro foi hexagonal

- De resto desconhecia

Qual a forma original.


Como seria possível

Ainda manter-se de pé,

A cerca que outrora havia

No mundo da geometria

De um convento que não é,

Se não fora a Poesia?




Poemas: apm
DIA MUNDIAL DA POESIA




Foto: apm

segunda-feira, 16 de março de 2009

NAS MARGENS DO TEMPO

Nas margens do tempo, por dentro de mim,

procurei o rio, remirei as águas,

e, nos requebros esperados da maré,

recuperei a infância, fiz um balancé:

Foi o voltear incessante entre o riso,

o pranto, a descrença e a fé;

e nas águas constantes que fluem,

compreendi a mudança que não é.



Poema: apm



Foto: apm

quarta-feira, 4 de março de 2009

ENTRE AS AREIAS FINAS DAS MARGENS

Recordar-me-ei das tuas mãos entrelaçadas,

como se os dias fossem sumindo

entre as areias finas das margens.

O sol pouco a pouco fenecia, enquanto

os fios das lágrimas de diamantes eram

explosões inesperadas de gotas de água.


Ternamente, foi-me afluindo à memória

a paragem dos dias, a leveza dos

pequenos gestos, a maré cíclica das

emoções, a plenitude inconclusiva.




Poema: apm



Foto: apm

domingo, 1 de março de 2009