
DOIS POEMAS DA PRAIA DA AREIA BRANCA
1
Na praia da Areia Branca
os búzios não falam só do mar:
- falam das pragas, dos clamores,
da fome dos pescadores
e dos lenços tristes a acenar.
Búzios da praia da Areia Branca:
- um dia,
haveis de falar
unicamente do mar.
2
No fundo do mar,
há barcos, tesoiros,
segredos por desvendar
e marinheiros que foram morenos ou loiros.
Ali, não são morenos nem são loiros:
- são formas breves, a descansar,
sem ambições para os tesoiros
e de cabelos verdes dos limos do mar.
Serenos, serenos, repousam os mortos,
- enquanto o mar
ensina o mundo a falar
a mesma língua em todos os portos.
(Sidónio Muralha, nasce em Lisboa em 1920 e morre em Curitiba em 1982. Foi um dos precursores do neo-realismo português com BECO (1941). Viveu um pouco por todo o mundo. Exilou-se na Bélgica e acaba reconhecido no Brasil, onde viveu as últimas décadas da sua vida, especialmenmte pelos seus livros para um público infanto-juvenil)