
Os barcos ainda não tinham
abandonado o chão das águas
já vergavas o corpo
na corda tensa
enterravas os pés
e deixavas os peixes saltarem
nos teus olhos prateados
Exilada no próprio corpo
emerges deusa quase perfeita
ao pôr do sol
num desencontro de preces
mas só quando a desoras
te abres em flor e desnudas
entregas o resto das forças
a um beijo
adormeces oculta
no grasnar das aves
Eufrázio FilipeFoto:
Pedro Soares"Em todo o livro (o recém-editado
Para Lá do Azul), o autor estabelece um subtil diálogo, mais pressentido que nomeado, entre um
eu e um
tu onde se respira uma delicada sensualidade que percorre quase todos os poemas e onde as palavras vão serenamente, desenhando uma trignometria imperiosa dos sentidos."
in Prefácio de Arlindo Pato Mota