Foram anos de procura,
Sem curso de marinhagem,
Nem leme ou rumo traçado,
Sem a menor equipagem.
Foram destinos aceites,
Sem uma prévia demão,
Horizontes encobertos,
Sem perceber a razão.
Foram temas de romance,
E heróis mal preparados,
Cavalgadas sem destino,
De antemão fracassadas.
Poema: apm
sábado, 11 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
MEIA JORNADA
Quando a viagem é meia, já tornada,
Impelida pelo vento ou ressentida
Da calmaria ou sede de viver,
Por vezes reaparece a maresia
E tudo pode ainda acontecer:
O perfume agreste, a malvasia,
Ou a loucura de ver nascer o dia
De quem passa o dia sem o ver.
E onde está o Homem está o sonho,
Nem que seja um filho por nascer.
Poema: apm
Impelida pelo vento ou ressentida
Da calmaria ou sede de viver,
Por vezes reaparece a maresia
E tudo pode ainda acontecer:
O perfume agreste, a malvasia,
Ou a loucura de ver nascer o dia
De quem passa o dia sem o ver.
E onde está o Homem está o sonho,
Nem que seja um filho por nascer.
Poema: apm
sexta-feira, 3 de abril de 2009
MULHERES DA NAZARÉ
Nas margens, à beira de água
nos resquícios das marés,
vagueiam, como respiram,
as mulheres da Nazaré.
A maresia é seu jeito,
o casario rodapé,
os barcos sugerem leitos
da vida, tal como é.
Poema: apm
nos resquícios das marés,
vagueiam, como respiram,
as mulheres da Nazaré.
A maresia é seu jeito,
o casario rodapé,
os barcos sugerem leitos
da vida, tal como é.
Poema: apm
sexta-feira, 27 de março de 2009
RENASCER DE NOVO
I
Cibele, acrisolada nos seus olhos húmidos, apelava à demasia da
vida, buscando na solidão alimento para a inquietude.
Sabia que, muitos anos volvidos, a repetição dos seus gestos, aparentemente inúteis,
eram como que uma flor resguardada de ventos, por entre o ímpeto reprimido de
paixões.
II
Dia a dia, mecanicamente, resistia ao luar e ao sol, a luz natural ofuscava-lhe essa
ténue alegria que guardava, secreta e compungida.
Certos dias, raros, chispavam em si o brilho do desejo, e viam-na caminhar,
solitária, o rosto e a voz ocultando o mais profundo do seu ser.
III
Que fazer, afinal, dessa flor tão serenamente resguardada,
cuja seiva era a dádiva de uns olhos permanentemente
húmidos?
IV
Nesse dia, igual a tantos outros, subitamente,
irrompera nela uma vontade, inesperada,
de partilhar o sonho, a maresia, o calor
ou a geada, mesmo que o tempo persistisse
a monótona cidadela de um Outono.
Soubera, enfim, que renascera para a vida.
Poema: apm
Cibele, acrisolada nos seus olhos húmidos, apelava à demasia da
vida, buscando na solidão alimento para a inquietude.
Sabia que, muitos anos volvidos, a repetição dos seus gestos, aparentemente inúteis,
eram como que uma flor resguardada de ventos, por entre o ímpeto reprimido de
paixões.
II
Dia a dia, mecanicamente, resistia ao luar e ao sol, a luz natural ofuscava-lhe essa
ténue alegria que guardava, secreta e compungida.
Certos dias, raros, chispavam em si o brilho do desejo, e viam-na caminhar,
solitária, o rosto e a voz ocultando o mais profundo do seu ser.
III
Que fazer, afinal, dessa flor tão serenamente resguardada,
cuja seiva era a dádiva de uns olhos permanentemente
húmidos?
IV
Nesse dia, igual a tantos outros, subitamente,
irrompera nela uma vontade, inesperada,
de partilhar o sonho, a maresia, o calor
ou a geada, mesmo que o tempo persistisse
a monótona cidadela de um Outono.
Soubera, enfim, que renascera para a vida.
Poema: apm
sábado, 21 de março de 2009
MEDITAÇÃO
Quem controla o desejo, a emoção
ou a ternura?
A paleta, responde o pintor.
A palavra, atalha o poeta.
Juntos, distribuem a luz
Que inunda de cor o planeta.
Poema: apm
DIA MUNDIAL DA POESIA
ou a ternura?
A paleta, responde o pintor.
A palavra, atalha o poeta.
Juntos, distribuem a luz
Que inunda de cor o planeta.
Poema: apm
DIA MUNDIAL DA POESIA
ENCONTRO HEXAGONAL
O encontro foi hexagonal
- De resto desconhecia
Qual a forma original.
Como seria possível
Ainda manter-se de pé,
A cerca que outrora havia
No mundo da geometria
De um convento que não é,
Se não fora a Poesia?
Poemas: apm
DIA MUNDIAL DA POESIA
- De resto desconhecia
Qual a forma original.
Como seria possível
Ainda manter-se de pé,
A cerca que outrora havia
No mundo da geometria
De um convento que não é,
Se não fora a Poesia?
Poemas: apm
DIA MUNDIAL DA POESIA
segunda-feira, 16 de março de 2009
NAS MARGENS DO TEMPO
Nas margens do tempo, por dentro de mim,
procurei o rio, remirei as águas,
e, nos requebros esperados da maré,
recuperei a infância, fiz um balancé:
Foi o voltear incessante entre o riso,
o pranto, a descrença e a fé;
e nas águas constantes que fluem,
compreendi a mudança que não é.
Poema: apm
procurei o rio, remirei as águas,
e, nos requebros esperados da maré,
recuperei a infância, fiz um balancé:
Foi o voltear incessante entre o riso,
o pranto, a descrença e a fé;
e nas águas constantes que fluem,
compreendi a mudança que não é.
Poema: apm
quarta-feira, 4 de março de 2009
ENTRE AS AREIAS FINAS DAS MARGENS
Recordar-me-ei das tuas mãos entrelaçadas,
como se os dias fossem sumindo
entre as areias finas das margens.
O sol pouco a pouco fenecia, enquanto
os fios das lágrimas de diamantes eram
explosões inesperadas de gotas de água.
Ternamente, foi-me afluindo à memória
a paragem dos dias, a leveza dos
pequenos gestos, a maré cíclica das
emoções, a plenitude inconclusiva.
Poema: apm
como se os dias fossem sumindo
entre as areias finas das margens.
O sol pouco a pouco fenecia, enquanto
os fios das lágrimas de diamantes eram
explosões inesperadas de gotas de água.
Ternamente, foi-me afluindo à memória
a paragem dos dias, a leveza dos
pequenos gestos, a maré cíclica das
emoções, a plenitude inconclusiva.
Poema: apm
domingo, 1 de março de 2009
ESCANÇÃO DOS SONHOS
Ledo, o tempo redefine
as margens, coarcta a
emoção, medeia a
ternura.
Nele, o amor, escanção
dos sonhos, experimenta
a pureza dos sentidos.
Poema: apm
as margens, coarcta a
emoção, medeia a
ternura.
Nele, o amor, escanção
dos sonhos, experimenta
a pureza dos sentidos.
Poema: apm
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
SOFIA
1.
À medida que o tempo humedecia,
crescia entre a areia do pecado,
cálida na substância e na idade.
Fez-se mulher: sumo de romã
em taça fria.
2.
Sacudiu graciosamente os ombros,
abotuou, lasciva, o último botão,
pegou na sacola, cingiu o corpete,
e partiu naquele dia, como nos demais,
mas jamais apareceria,
Sofia.
Poema: apm
À medida que o tempo humedecia,
crescia entre a areia do pecado,
cálida na substância e na idade.
Fez-se mulher: sumo de romã
em taça fria.
2.
Sacudiu graciosamente os ombros,
abotuou, lasciva, o último botão,
pegou na sacola, cingiu o corpete,
e partiu naquele dia, como nos demais,
mas jamais apareceria,
Sofia.
Poema: apm
domingo, 22 de fevereiro de 2009
MARIA BETHÂNIA EM LISBOA
Uma vez de quando em quando Maria Bethânia, dádiva de Yemanjá, derrama na sua voz aveludada e única, ao vivo, a seda das palavras dos poetas da língua portuguesa. Com inteligência faz, com os compositores e músicos que a acompanham, momentos únicos, inesquecíveis, como estou certo que uma vez mais vai acontecer nos próximos dias 27 e 28 no Coliseu de Recreios.(Recordo a extraordinária homenagem a Fernando Pessoa no seu disco e concerto IMITAÇÃO DA VIDA trancrevendo o poema "Aniversário" de Álvaro de Campos, que diz de forma sublime.)
ANIVERSÁRIO
"No dia em que festejavam o dia dos meus anos.
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos.
E a alegria de todos, e a minha,
estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos.
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma.
De ser inteligente para entre a família.
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. "
ANIVERSÁRIO
"No dia em que festejavam o dia dos meus anos.
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos.
E a alegria de todos, e a minha,
estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos.
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma.
De ser inteligente para entre a família.
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. "
Subscrever:
Mensagens (Atom)





