Foto de: apm
segunda-feira, 23 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
SAUDADES
SAUDADES
(Homenagem com endereço)
Eram poucas as palavras
que usava para falar,
umas vezes, por preguiça,
outras vezes, por ousar.
Mas no dia em que partiu,
o Sol parou por instantes
- milagres como só dantes -
que, de espanto, pouco vi.
Foi, numa vaga de espuma,
para o outro lado da vida,
da vida que ele trocou
por coisa alguma.
arlindo mota
foto e poema
terça-feira, 19 de junho de 2012
1º ENCONTRO LUSO-POEMAS - Versão Brasileira
Está a decorrer o 1º Encontro Luso-Poemas,
versão brasileira, no Rio de Janeiro desde 15 de Junho. A todos os
companheiros e companheiras, na impossibilidade de estar presente, dedico este meu
poeminha a todos eles que tiveram a ousadia de o promover "com açucar, com
afeto", centrando por simplicidade nessa figura congregadora e amiga de José Silveira.
Quem controla o desejo, a emoção
ou a ternura?
A paleta, responde o pintor.
A palavra, atalha o poeta.
Juntos, distribuem a luz
Que inunda de cor o planeta.
arlindo mota
sábado, 31 de março de 2012
PURO SILÊNCIO
POETA DO MÊS: EUGÉNIO DE ANDRADE
AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
inseguras navegam,
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras.
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 7 de março de 2012
FORMAS SENTIDAS
Acaricio os teus dedos longos suspensos
sobre mármore Carrara. A emoção do simples
contacto, o fascínio das cores refractados no
cristal líquido dos teus olhos húmidos,
perduram ainda, cobrindo de matizes
a face oculta das pétalas da vida.
Os palácios, Cibele, são uma invenção
dos bárbaros, pois neles as pessoas
estão irremediavelmente longe umas das
outras, os candelabros apenas tingindo
de opacidade e ilusão.
De futuro, sempre aparecerás vestida
de orquídea, os olhos marejados
de verde, o corpo entreaberto, a
tensão serena das mãos e do rosto.
arlindo mota
sábado, 18 de fevereiro de 2012
CASA DE PARTIDA
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
NATAL...
NATAL...
É fogo e água em abundância,
E terra e ar que envolve a dor,
Natal é acaso e circunstância,
Natal é tudo isto...e o calor.
A vaga se fez pranto,
E o silêncio musa,
E o amor canto,
Conquanto se desusa.
arlindo mota
foto: apm
Para as companheiras e companheiros que acompanharam este blogue um FELIZ NATAL
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
OS LOUCOS DA MINHA RUA

O ar que se respira, carbono negro, denso,
quase impuro, nada tem a ver com a cor,
nem com as guelras (do odor não me lembro),
vem da memória, dizes, talvez do coração,
pois nem o pulmão que o inspira, sente.
Assim se vão passando os dias, indolentes,
aqui no asilo, onde às árvores chamam gente,
e elas murmuram entre dentes, qualquer coisa,
que bem podia tratar-se de sementes.
Mas não, é coisa de doentes…
arlindo mota
domingo, 20 de novembro de 2011
ATÉ QUANDO?
Os filhos da urbe, apartam-nos; os lares que constroem para eles são verdadeiras estalagens para a derradeira vagem, sem açúcar, sem afecto; a sua reforma é inferior, na maior parte dos casos, ao valor das roupas de marca que os seus netos usam; o preço dos medicamentos que lhes prolongam a vida está pela hora da morte…
Resta-lhes, como na alegoria de Elio Vitorini, seguir o trilho dos elefantes, que se apartam da manada, quando sentem que a sua utilidade chegou ao fim, dirigindo-se para norte, gigantesco cemitério de elefantes: “Consideram-se mortos e morrem”, desistem de viver. Para quando a devolução da dignidade perdida dos mais velhos; até quando estes atravessarão o presente, desculpando-se de não ter ido mais longe”, nas palavras de Brel, e se sujeitam à tirania dos que esperam o seu sono tranquilo e infinito?
arlindo mota
foto: apm
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
MEDE A AMPULHETA O QUE SE SENTE?
terça-feira, 1 de novembro de 2011
MAR ADENTRO
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
RUI SERODIO: ARTE E VIDA

A semente intensa e delicada
A colheita farta enquanto houve
A notícia indelével que perdura
Teve o impacto duro de uma bala
arlindo mota
(Ouvir o maestro Rui Serodio é a melhor forma de continuar a ter o privilégio de continuar a usufruir da sua companhia através da arte, que essa é eterna. O nosso disco, querido amigo, teve um contratempo mas verá a luz dia: poesia e música sempre se banharam nas águas do mesmo rio. Aqui deixo um link para um dos seus últimos projectos http://www.newagepiano.com/profile/TheFadoandthePiano)
domingo, 16 de outubro de 2011
ESCRITOR DO MÊS: LUIZ PACHECO

Encontrámo-nos meia dúzia de vezes, separados pelo tempo e pela geografia: primeiro na "Estampa", quando integrava a equipa dos amigos Manso Pinheiro que haviam adquirido a editora e Luiz Pacheco era um dos seus autores. Mais tarde em Setúbal,já o tempo havia cavado fundo na energia e capacidade criativa de LP, mesmo assim sempre de língua afiada para os que arvoravam a hipocrisia como sua matriz. Depois fui acompanhando as entrevistas que foram sendo publicadas e que eram a sua "prova de vida". Viveu o tempo suficiente para saber que o seu talento fora reconhecido. Com ele morreu muito do pouco que resta de uma certa maneira de fazer literatura, de que terá sido o seu principal representante , em que a vida se confundia com a própria arte da escrita. Até sempre. apm"
Ora deixem-me que lhes diga: um cadáver não nunca tem terá razão, mesmo que a tivesse tido antes. Um estúpido um cobardola é para rir e chorar, porque a estupidez e o medo não têm medida. Um patareco dá-se-lhe um pontapé no cu, um parasita esborracha-se por nojo e a um folião fazemos notar que não lhe achamos graça nenhuma. E fugi dos frustrados e falhados que é a malta mais tratante e castradora que existe. Mas um bebé! uma rapariga com um filho ao colo! os bambinos em volta! são os bichos mais exigentes e precisados de tudo. E há que lhes dar tudo. Eis, senhores, porque saúdo a manhã e faço gosto em a ver inda uma vez, eis porque a pardalada me incita. (...) Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes." Luiz Pacheco in A COMUNIDADE
domingo, 9 de outubro de 2011
OUTONO
domingo, 18 de setembro de 2011
PELA NORMA CONSENTIDO

Não é a simples presença
A razão que aqui me traz
Sem receber qualquer tença,
Mas esperança de encontrar
Lugar onde pontifique
Um poeta, mesmo alvar,
Em vez de Pina Manique.
Não que me sinta atraído
Pelos salões decadentes,
Por onde coço o umbigo,
Entre senhoras contentes,
E outros irreverentes
Pela norma consentido.
arlindo mota
(Poema inédito criado para participar numa interessante iniciativa comemorativa do Dia de Bocage, na cidade de Setúbal, sujeito ao mote "Pela Norma Consentido", em 1986).
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
DÁDIVA DIVINA
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
PARÁBOLA
Angustiado e humilde, procurou um proclamado sábio cuja fama irradiava por todas as terras e lugares.
Ao chegar junto dele indagou sobre o que lhe poderia ensinar sobre a vida. “Nada” respondeu o sábio”. Nada? “Nada, meu amigo” enquanto esboçava um sorriso inequivocamente bondoso.
O peregrino não satisfeito com a resposta voltou à carga: “Mas tens fama de ajudar os que te procuram e de sempre lhe valeres”.
“Não fui eu que a criei”, ripostou. “Mas diz-me: verdadeiramente ao que vens?”
“Busco encontrar um sentido para a minha vida, e não vislumbro, e mais de meia vida é já tornada”
“Se procuras tão persistentemente algo de tão raro e difícil então não precisas decididamente de conselhos. Apenas tens de seguir o teu caminho, que já o encontraste”.
arlindo mota
foto: apm
Subscrever:
Mensagens (Atom)



