Mariam é blogger de sucesso, fotógrafa e poeta de gosto apurado que tem acompanhado e incentivado a "Seda das Palavras" desde sempre...Esta foto é sua. Pô-la generosamente à minha disposição. Resta-me partilhá-la no blogue pois todo o seu sentido tem muito a ver com o seu conteúdo: a luz, os barcos, os sapais...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
MARIAM: PRENDA SUA
Mariam é blogger de sucesso, fotógrafa e poeta de gosto apurado que tem acompanhado e incentivado a "Seda das Palavras" desde sempre...Esta foto é sua. Pô-la generosamente à minha disposição. Resta-me partilhá-la no blogue pois todo o seu sentido tem muito a ver com o seu conteúdo: a luz, os barcos, os sapais...
sábado, 6 de novembro de 2010
POETA DO MÊS: SIDÓNIO MURALHA

DOIS POEMAS DA PRAIA DA AREIA BRANCA
1
Na praia da Areia Branca
os búzios não falam só do mar:
- falam das pragas, dos clamores,
da fome dos pescadores
e dos lenços tristes a acenar.
Búzios da praia da Areia Branca:
- um dia,
haveis de falar
unicamente do mar.
2
No fundo do mar,
há barcos, tesoiros,
segredos por desvendar
e marinheiros que foram morenos ou loiros.
Ali, não são morenos nem são loiros:
- são formas breves, a descansar,
sem ambições para os tesoiros
e de cabelos verdes dos limos do mar.
Serenos, serenos, repousam os mortos,
- enquanto o mar
ensina o mundo a falar
a mesma língua em todos os portos.
(Sidónio Muralha, nasce em Lisboa em 1920 e morre em Curitiba em 1982. Foi um dos precursores do neo-realismo português com BECO (1941). Viveu um pouco por todo o mundo. Exilou-se na Bélgica e acaba reconhecido no Brasil, onde viveu as últimas décadas da sua vida, especialmenmte pelos seus livros para um público infanto-juvenil)
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
ENTRE PORTOS PALAFITAS

ENTRE PORTOS PALAFITAS
os corpos passadiços sugados pelo tempo
sobre as águas rumorejando quando em vez
anunciavam algazarras as chegadas e partiam
no silêncio das marés
ali cevei em mim uma roseira
as pétalas pegadas que deixei
meia-lua à espera à tua beira
quando o tempo nos consome
e nada mais se divisa por diante
é pura eugenia a minha fome
arlindo mota
foto: arlindo pato mota
sábado, 9 de outubro de 2010
7 PECADOS

Eis uma antologia que vale a pena integrar: porque tem corpo e alma e amizade dentro. Porque não se abriga à sombra do egoísmo ou do lucro travestido de caridade. Estabelece um círculo que vai dos seus promotores e organizadores, aos parceiros. Dois nomes traçaram o círculo virtuoso: Ibernise e José Lourenço. Para eles, pela abrangência e generosidade, o bem-haja dobrado.
arlindo mota
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
DE SÚBITO
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
KAREN THIELE CAMPOS: LUZ E SOMBRA


« A artista plástica Adriane Hernandez, professora de Artes Visuais da UFPel, preparou uma exposição de seus alunos, em parceria com o Instituto João Simões Lopes Neto. Os estudantes deviam elaborar criações não tradicionais em torno ao livro - como conceito e como objeto - e à casa do escritor.
Em visita ao Instituto, as ideias apareceram e foram feitos os projetos de acordo aos lugares da casa. Assim, a exposição "A casa, as estantes e os livros", com pouco mais de uma dúzia de surpreendentes trabalhos, foi aberta na quinta 22 de julho, e se prolongou até 30 de julho(...)
"Luz e sombra", o impressionante livro-janela de Karen Campos, foi construído com papel paraná, craft, celofane e lâminas de retroprojetor. O tamanho da obra, adaptado à realidade física da casa, também dizia que ser escritor (ou encadernador) envolve bastante trabalho, na concepção e na confecção. Pequenos nos sentimos ante certos livros.
O livro com forma e funções de janela, além de ser parte da casa de um escritor, permite olhar o mundo lá fora, iluminar o interior, trocar de ar e escrever nos vidros.
As várias folhas podiam ser folheadas e lidas sem dificuldade, e em cada uma havia mensagens epigramáticas como esta (do poeta português Arlindo Mota):
Quem controla o desejo: a emoção ou a ternura?
- A paleta, responde o pintor.
- A palavra, atalha o poeta. Juntos, distribuem a luz que inunda de cor o planeta.»
F.A. Vidal, in blog "Pelotas, Capital da Cultura"
Parabéns à Karen Campos, promissora artista plástica brasileira e à sua orientadora pelo conceito brilhante que deu origem a este (e outros) magníficos trabalhos e ao convite para colaborar que me dirigiu e a que acedi com o maior gosto.
apm
sábado, 11 de setembro de 2010
REFLEXÃO
foto: arlindo pato mota
REFLEXÃO
Subitamente
O rumo se fez tempo e ao longe
O amanhecer se recortara.
A quem cabe o fortuito,
O desgarrado,
O repensar o acaso, o absoluto,
O misterioso esgar e
A impoluta coragem,
A razão dia a dia perscrutada,
E a fuga ciclicamente repetida?
Arqueados, no cais, retomamos
O alento da manhã. Caminhamos.
arlindo mota
domingo, 29 de agosto de 2010
RETRATO MERIDIONAL
RETRATO MERIDIONAL
Foi a Sul, onde as cores se misturam a quente
embutindo gente e sofrimento
E a paisagem pintada por dedos hábeis, cálidos
é ouro rendilhado a sol e vento
na amplitude das margens que cavaram
Aí crescera: criança, querubim, esposa, amante
Vivera até ao fim, talvez um pouco mais adiante,
no limite, o azul que lhe traçaram
arlindo mota
foto: arlindo pato mota
sábado, 21 de agosto de 2010
FÁTIMA RIBEIRO MEDEIROS: "A Seda das Palavras"

"De seda se vestem as palavras deste último título, depois de ensaiado o «canto viageiro» e ultrapassados «incertos dias» de um quotidiano a que o eu poético soube apor a sua «marca de água», sob o olhar atento, «húmido» e «brilhante» de Cibele. Palavras atravessadas por um toque de delicadeza, sensibilidade, sentido lírico. Palavras de amor, desejo, partilha, ternura, inquietação, busca, num navegar poético por rotas ora originais ora revisitadas, entre um presente calmo, de aceitação de um destino inevitável, e um passado pontuado por afectos vários, delineando o «percurso percorrido» de uma viagem incessante.(...)
Fátima Ribeiro Medeiros
IELT, FCSH - UNL
(Com os agradecimentos à distinta investigadora que revisitou, para o jornal "O SUL", a obra poética do autor, com particular incidência no livro "A Seda das Palavras". Em breve o texto completo estará à disposição noutro local da WEB)
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O CUME
O CUME
subiu a encosta e a cada curva saudavam-na
jasmins e sardoeiras até ao cume, ponto mais alto
onde o rosto se abre, manhã clara, em pleno
espanto
fora assim, de encosta em encosta, de cume em cume,
que acabara o dia,
no aconchego do teu corpo, abóbada celeste, e o lume
paradoxo da geometria
e seu encanto
arlindo mota
foto:arlindo pato mota
quarta-feira, 21 de julho de 2010
POETA DO MÊS: AL BERTO
ANTES QUE O RIO ESQUEÇA...
«Olhar atentamente a civilização que nos deixaram.
Dantes podíamos virar costas à terra com a certeza de que as eiras estavam cheias de grão. Hoje apenas podemos sonhar com as eiras que não veremos nunca.
Mas as máquinas vieram para talhar a cidade que vem e o falso ouro contaminou a terra.
Tentaremos esquecer a morte que se insinua em permanência e que de tão presente já não sentimos o cheiro. Refina a morte das aves, esquece-se a vida dos peixes, morrem as árvores, degrada-se a vida dos homens.
Na memória doem os sinais dos bosques ceifados, as dunas arrasadas e algumas casas abandonadas. A memória é hoje uma ferida que lateja ao fundo da insónia.
Escavemos o chão, procuraremos essas raízes em pedra cinzelada, objectos da vida simples de outros povos. Preciosas navegações, procuraremos a velha dança à roda do mastro. Olhamos as nossas minúsculas embarcações, semelhantes a beijos que nos percorrem de felicidade.
Olhamos o mar, o espaço desses navios negros que nos escondem a linha do horizonte. No coração nada secou, nem possuímos o desastre dentro dos sonhos. A vida preciosa de vivíssimas memórias.
Com este corpo frágil e magoado, procuramos preservar a nossa memória colectiva da voragem do tempo e do abandono dos homens.»
Prosa poética de um dos grandes poetas portugueses,Alberto Pidwel (Al Berto) para um video sobre Arqueologia Naval da Margem Sul, escrito em 1985, transcrito e sob responsabilidade de arlindo pato mota, companheiro e admirador do poeta.
sábado, 17 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
NEGRO EM CONTRASTE AO AZUL AVERMELHADO
entrou como uma nuvem,
pássaro negro,
fazia contraste no azul avermelhado do céu,
o cheiro de campo inundou o dia,
vinha na frente, como se fosse um suspiro do céu.
sua alegria entrou pela cozinha,
trouxe apenas o próprio ar
e o som do mundo começando...
numa caligrafia refinada,
o pensamento liberta-se da mente
e faz o papel implorar...
por maior que fosse a distância
entre o desejo e a alma,
vem suave e desce na cabeça,
faz contraste na mente branca.
...até agora a pouco não tinha nem luar.
volta num vôo,
apaga as luzes do mundo
e onde não havia nada
crescem estrelas no solo da noite...
Vania Lopez
(ainda um poema sobre "pássaros" de uma inspirada poetisa brasileira que já tem colaboração neste sítio)
foto: apm
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Devo confessar que sou o contrário, meus passos seguem em contrário.
Sou uma pessoa inquieta, vou onde meu vento me leva. Artista Plástica e escritora, as vezes sem saber se pintoraqueescreve ou escritoraquepinta...
terça-feira, 6 de julho de 2010
POEMA AVE
Vens querida ave mapear o céu!
Com a brisa estonteia teu canto
Em brancas nuvens deposita o encanto
E vive assim pelo mundo ao léu!...
No solstício abraças a bela madrugada
Ave poema que no sonho já pousa
E no alvo ventre no céu repousa
Sentindo-se por todos tão amada!
E quando sente a fome de amar
Voa altiva pelas ondas do mar
Buscando o cinza dos olhos sinceros
Avezinha que a todos acalma
Tens nas penas o manto da alma
Como um poema ave, tens da poesia o eterno!
LEDALGE
"Com inspiração no ... poema "Teu Corpo Ave Cinzenta" de Arlindo Mota (Ledalge)"
foto: arlindo pato mota
Sou uma mulher que respira poesia; que a mantém viva dentro de si dia após dia. Sou uma sonhadora, que busca nas vielas do sonho, os contornos da vida. Essa sou eu: NÚRIA CARLA, A LEDALGE.
domingo, 20 de junho de 2010
TEU CORPO AVE CINZENTA

teu corpo ave cinzenta simulou um voo
ao encontro dos deuses, mundo dos ses,
em movimento pendular: ser e não ser,
cintilando ao retornar pela última vez
o corpo brotou manancial de água fresca
sobre delicado tapete de plátanos em flor
sem cuidar de saber se ao partir voltaria:
eclipse ou expressão circular da geometria
o corpo ave cinzenta aninhou uma última vez
no meu colo,e ali ficou, delicada,serena forma,
depois despertou tão naturalmente naquele dia,
que deixou a ilusão de ser eterno – e não seria…?
arlindo mota
sábado, 19 de junho de 2010
FOTOPOEMA: TEMPO DE PARTIDA
domingo, 30 de maio de 2010
CABO DA ESPERANÇA
Quanto custou dobrar o Cabo,
Assegurar os mantimentos
E o ânimo dos Homens?
País de marinheiros, de aventuras,
Ninguém pergunta quanto custa
Dobrar o cabo da ternura.
Dobrar o Cabo, sem perder a esperança
E ao sabor do vento navegar,
Indiferente à tempestade ou à bonança,
Ser uma ilha entre o azul e o mar.
arlindo mota
foto e poema
domingo, 23 de maio de 2010
FORA ASSIM QUE TUDO COMEÇARA...
Rios irrompiam bem por dentro
criando uma alameda junto ao mar
entre palmeiras e urzes inclinadas
que o vento modelava sem cessar.
Aí teu perfume de cedro e aloendro
anunciava um tempo mais bravio
enquanto as faces breves se tocavam
por entre camarinhas e o desejo.
Fora assim que tudo começara,
despojada candura e verdes campos:
Feliz, recorda Cibele, no seu semblante
a chegada de mais uma Primavera.
arlindo mota
foto e poema
domingo, 16 de maio de 2010
OS LOUCOS DA MINHA RUA

O ar que se respira, carbono negro, denso,
quase impuro, nada tem a ver com a cor,
nem com as guelras (do odor não me lembro),
vem da memória, dizes, talvez do coração,
pois nem o pulmão que o inspira, sente.
Assim se vão passando os dias, indolentes,
aqui no asilo, onde às árvores chamam gente,
e elas murmuram entre dentes, qualquer coisa,
que bem podia tratar-se de sementes.
Mas não, é coisa de doentes…
arlindo mota
foto de um quadro de Toni Puig
sábado, 8 de maio de 2010
A ESPADA DE DÂMOCLES
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