Presença sublime arte de saber com os
verdes anos em olhar filosófico revestidos de
convivência.
Metamorfose de natural simplicidade de ver e
ajudar a engrandecer, com danças de cores no céu pintado de aromas
e graça para além das palavras em ramos de estrelas douradas.
Nesse lugar que teço todos os sentidos que são o
albergue dos olhares que se tocam e cruzam nas marés agitadas
num pontão de quietude
que as domina.
Memórias sitiadas na morada de um inverno na busca
das fragrâncias de primavera que o coração confina.
Renascer de novo, a busca incontida no hexagonal
destino que nos abraça e dá a mão na solidão que voa no longínquo universo.
As pétalas da vida são os dedos do homem que as
acaricia e nos delícia na forma e conteúdo de toda a sua filosofia.
Oferto estas singelas palavras num dialogo de pai e
filho/a a reflectir no respeito e admiração que teço por si.
Quando eu me for embora por certo guardarei todas
as palavras que sempre por si senti.
Para o poeta Arlindo Mota as suas próprias palavras num singelo acto de carinho.
domingo, 14 de março de 2010
FIXAVA OS OLHOS NUM SÓ PONTO
Fixava os olhos num só ponto,
E esse ponto quase não se via,
Como que coberto por um manto
De espesso nevoeiro ou fantasia.
Nem a rudeza do vento,
Ou o saber da razão,
Lhe suspende o pensamento.
Pelo menos, por enquanto.
Arindo Pato Mota
sábado, 13 de março de 2010
MUSEU DO LOUVRE: TRADIÇÃO E MODERNIDADE
sábado, 6 de março de 2010
SÃO GONÇALVES: POEMA PARA CIBELE
A seara está madura
os frutos prontos
a ser colhidos
nas mãos
da amizade
a ternura
dos amigos
que se deram.
I
Do olhar de uma
mulher
a luz que os homens
negaram
no corpo da musa
cibele
o renascimento
do amor almejado.
II
Mas é na hora
da partida
que o amor
mais se sente
da poesia
e do poeta
que marca
a alma
da gente.
São Gonçalves é uma talentosa poetisa, dotada de uma escrita límpida e despojada, a quem agradeço a amizade partilhada.
os frutos prontos
a ser colhidos
nas mãos
da amizade
a ternura
dos amigos
que se deram.
I
Do olhar de uma
mulher
a luz que os homens
negaram
no corpo da musa
cibele
o renascimento
do amor almejado.
II
Mas é na hora
da partida
que o amor
mais se sente
da poesia
e do poeta
que marca
a alma
da gente.
São Gonçalves é uma talentosa poetisa, dotada de uma escrita límpida e despojada, a quem agradeço a amizade partilhada.
quinta-feira, 4 de março de 2010
"UNA FURTIVA LAGRIMA"

Peguei na roupa de Domingo,
afivelei no rosto uma rosa vermelha
e parti, como quem já viveu.
No caminho, aliviado das estrelas,
guardei uma lágrima de reserva,
sem saber se tu aparecerias pronta
para me receber.
Foi assim que tudo aconteceu
eu acordei tendo a meu lado
o travesseiro húmido e não tinha chovido
naquele dia.
Foto e Poema: arlindo pato mota
*dedicado e ao estilo de Vania Lopez,
poetisa e artista plástica que muito admiro
sábado, 27 de fevereiro de 2010
NUANCES

"Ana Coelho e José Antunes, são dois autores com uma envolvente e genuína pulsão pela poesia. Na escrita e nos gestos, que de gestos também se constrói a poesia.(...)
Ana Coelho navega mais suavemente nas palavras, é, de algum modo, o lado assumidamente feminino do livro; José Antunes, de escrita comedida, apresenta mais arestas na leitura e na interpretação da sua simbologia. Comum aos dois, a contenção vocabular e arredia da adjectivação excessiva, que torna a sua poesia rigorosa e límpida, dotada de uma invejável coerência interna"
(Arlindo Mota, in Prefácio)
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
NAS LEVADAS

NAS LEVADAS
demiurga, a água
transborda
por sobre o próprio
corpo,
submergindo os dedos
que buscam
alento,
à medida que a torrente
se lhes escapa.
sorrateira, num ímpeto
de cantata,
penetra fundo,
como uma adaga
em peito aberto,
pela dor.
nas levadas,
os pássaros já não cantam
nas suas margens,
apenas ressoam
ecos, pouco audíveis,
da tragédia.
arlindo mota
foto: Turismo da Madeira
*As “levadas” são cursos de água à volta das montanhas, construídos pelo Homem nos primórdios da colonização na Madeira, para levar água aos terrenos agrícolas inacessíveis. Eram uma das atracções da Ilha.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
TRAÇADO OBLÍQUO
A terra é fresca, entumecida,
O fruto escasseia ou está ausente,
Aproxima-se o tempo de partida.
Que nada impeça
O traçado oblíquo da razão,
Nem o riso da criança,
Nem a ternura de irmão.
Percorrida em traços largos,
Ao sabor do vento forte,
Por entre o Sul e o Norte,
Da minha imaginação.
Nela encontro o que procuro.
Foto e poema: arlindo mota
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
MARIAM: FOTOPOEMAS


mariam é uma das mais antigas companheiras da blogosfera e da sedadaspalavras em particular: de talentos multifacetados, da poesia à fotografia e à pintura, goza ainda da rara capacidade de gerar amizade e ânimo através do gesto e da palavra certa, no momento certo. Desde o início que fez também sua a personagem Cibele que aparece em muitos dos posts desta seda das palavras: agradeço-lho por isso e pelo magnífico fotopoema que lhe dedica (e a selecção da música das Celtic Woman que com sensibilidade escolheu). O outro fotopoema, corresponde ao primeiro poema que comentei no seu blog, pois na memória também desagua a amizade construída. apm
Celtic Woman - the Voice
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
FRUTOS PROMETIDOS
I
De súbito recolho as velas
Ao abrigo do porto, da memória,
Enquanto as águas cintilam prateadas,
Reflectindo as faces desejadas.
II
Seguros são os frutos prometidos,
Que colherás de tanto semeares,
Entre as searas abertas pelos dedos,
Que o vento ondulará quando quiser.
Foto e poema: arlindo pato mota
De súbito recolho as velas
Ao abrigo do porto, da memória,
Enquanto as águas cintilam prateadas,
Reflectindo as faces desejadas.
II
Seguros são os frutos prometidos,
Que colherás de tanto semeares,
Entre as searas abertas pelos dedos,
Que o vento ondulará quando quiser.
Foto e poema: arlindo pato mota
domingo, 7 de fevereiro de 2010
SEBASTIÃO DA GAMA: ARRÁBIDA

(...)
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia...
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama ("Poeta da Arrábida")
Em 7 de Fevereiro 1952, faleceu Sebastião da Gama, com 27 anos.Fica o modesto registo. Veja-se o blog da Associação Cultural Sebastião da Gama
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
AMIZADE
sábado, 30 de janeiro de 2010
AUTOR DO MÊS: LUIZ PACHECO
Encontrámo-nos meia dúzia de vezes, separados pelo tempo e pela geografia: primeiro em Lisboa, na "Estampa", quando integrava a equipa dos amigos Manso Pinheiro que haviam adquirido a editora e Luiz Pacheco era um dos seus autores. Mais tarde em Setúbal, nos idos de 90, já o tempo havia cavado fundo na energia e capacidade criativa de LP, mesmo assim sempre de língua afiada para os que arvoravam a hipocrisia como sua matriz. Depois fui acompanhando as entrevistas que foram sendo publicadas e que eram a sua "prova de vida". Viveu o tempo suficiente para saber que o seu talento fora reconhecido. Morreu há dois anos, a 6 de Janeiro: Com ele morreu muito do pouco que resta de uma certa maneira de fazer literatura, de que terá sido o seu principal representante , em que a vida se confundia com a própria arte da escrita.apm

"Ora deixem-me que lhes diga: um cadáver não nunca tem terá razão, mesmo que a tivesse tido antes. Um estúpido um cobardola é para rir e chorar, porque a estupidez e o medo não têm medida. Um patareco dá-se-lhe um pontapé no cu, um parasita esborracha-se por nojo e a um folião fazemos notar que não lhe achamos graça nenhuma. E fugi dos frustados e falhados que é a malta mais tratante e castradora que existe. Mas um bebé! uma rapariga com um filho ao colo! os bambinos em volta! são os bichos mais exigentes e precisados de tudo. E há que lhes dar tudo. Eis, senhores, porque saúdo a manhã e faço gosto em a ver inda uma vez, eis porque a pardalada me incita. (...) Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes." Luiz Pacheco in A COMUNIDADE

"Ora deixem-me que lhes diga: um cadáver não nunca tem terá razão, mesmo que a tivesse tido antes. Um estúpido um cobardola é para rir e chorar, porque a estupidez e o medo não têm medida. Um patareco dá-se-lhe um pontapé no cu, um parasita esborracha-se por nojo e a um folião fazemos notar que não lhe achamos graça nenhuma. E fugi dos frustados e falhados que é a malta mais tratante e castradora que existe. Mas um bebé! uma rapariga com um filho ao colo! os bambinos em volta! são os bichos mais exigentes e precisados de tudo. E há que lhes dar tudo. Eis, senhores, porque saúdo a manhã e faço gosto em a ver inda uma vez, eis porque a pardalada me incita. (...) Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes." Luiz Pacheco in A COMUNIDADE
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO: A OBRA DO POETA...

A OBRA DO POETA...
Na obra do poeta existe sempre
A sensação de estar incompleta,
Por mais que se esforce, faça ou tente,
A vida é limitada, curta e incerta...
Tocar os sentimentos, algo ingente,
Quão excessiva ambição é sua meta.
Escrever em rima, ou não, o quanto sente,
E se uma vez ao lê-lo em nós desperta
O sentir de um momento, plasmado
Em algo especial e..., tão diferente
Daquilo que é vulgar e consumado...
Algo inesquecível porque é arte.
Se tal for alcançado simplesmente...
Não lamente o poeta, quando parte...
António Boavida Pinheiro
O poeta António Boavida Pinheiro, que também usa o pseudónimo António dos Santos, a propósito da publicação do poema “Quando eu me for embora”, enviou a título de comentário poético, o seguinte poema que asedadaspalavras tem o maior prazer em aqui reproduzir, com os agradecimentos ao autor, cuja poesia e amizade muito aprecia.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
OLHARES
BILHETE POSTAL: BRUGES (FLANDRES)
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
QUANDO EU ME FOR EMBORA

Quando eu me for embora, levarei comigo
a madrugada e de meu pai, suas mãos rudes,
com que moldava, a golpes incisivos, um tronco frágil
insubmisso, sempre em sentido vertical.
De minha mãe, não esqueço, a ternura que mandava, disfarçada,
por entre o pão suado e a manteiga. Assim cresci.
Quando eu me for embora, também não esquecerei os luares
que percorri, envolto em ti, sem precisar de leito. Assim cresci.
Mais tarde, pouco mais, hei-de lembrar-me daquilo que não fiz.
Mas quando eu me for embora, é porque morri, cá dentro,
por não saber cuidar de ti, amor-perfeito.
Poema: Arlindo Mota
Foto: Pedro Soares
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
POEMAS DITOS POR VÓNY FERREIRA
O SEGREDO DAS PALAVRAS
O sonho, Cibele, é uma taça, uma flor ignota, um desejo imenso
que persiste, mesmo se a dor ao colhê-lo o ignore. Cativo, neste lugar,
perco a exacta noção do ser e do não ser, do tudo ou do nada,
( se é que o todo pode estar circunscrito à palavra…)
Procurarás as estrelas, que iluminarão o caminho. Se solitário, a luz é mais intensa.
Despojada de tudo, encontrarás o segredo das palavras:
ternura, amor, ou apenas sede e um sereno gesto a partilhar
na colheita de uma rosa brava.
DESEJO
Apetitoso o fruto que desejo,
Inominado, fresco, sedutor:
Prouvera fosse o tempo das cerejas,
Soubera ser o tempo do calor.
Das giestas não falo porque sei
O perfume agreste que despertam.
Estes poemas foram ditos pela poetisa Vóny Ferreira (que também coordenou o trabalho multimédia), na sequência de um trabalho que tem vindo a desenvolver no site Luso-Poemas com diversos autores. A excelência do trabalho, o empenho na sua realização, são o testemunho vital da sua generosidade e partilha. Aqui fica (e bem!) na Seda das Palavras: penhor de amizade e gratidão. arlindo mota
Voz: Vóny Ferreira
Montagem: Ana Sofia Ferreira
Poemas: Arlindo Mota
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
ANO NOVO
Sebastián Bach. Saludo
Moderno como las olas
antiguo como la mar
siempre nunca diferente
pero nunca siempre igual
Eduardo Chilida, in Preguntas
Moderno como las olas
antiguo como la mar
siempre nunca diferente
pero nunca siempre igual
Eduardo Chilida, in Preguntas
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