domingo, 14 de março de 2010

ANA COELHO: SIMPLESMENTE PALAVRAS

Presença sublime arte de saber com os

verdes anos em olhar filosófico revestidos de

convivência.

Metamorfose de natural simplicidade de ver e

ajudar a engrandecer, com danças de cores no céu pintado de aromas

e graça para além das palavras em ramos de estrelas douradas.

Nesse lugar que teço todos os sentidos que são o

albergue dos olhares que se tocam e cruzam nas marés agitadas

num pontão de quietude

que as domina.

Memórias sitiadas na morada de um inverno na busca

das fragrâncias de primavera que o coração confina.

Renascer de novo, a busca incontida no hexagonal

destino que nos abraça e dá a mão na solidão que voa no longínquo universo.

As pétalas da vida são os dedos do homem que as

acaricia e nos delícia na forma e conteúdo de toda a sua filosofia.

Oferto estas singelas palavras num dialogo de pai e

filho/a
a reflectir no respeito e admiração que teço por si.

Quando eu me for embora por certo guardarei todas

as palavras que sempre por si senti.


Para o poeta Arlindo Mota as suas próprias palavras num singelo acto de carinho.

FIXAVA OS OLHOS NUM SÓ PONTO

 
Posted by Picasa


Fixava os olhos num só ponto,

E esse ponto quase não se via,

Como que coberto por um manto

De espesso nevoeiro ou fantasia.


Nem a rudeza do vento,

Ou o saber da razão,

Lhe suspende o pensamento.

Pelo menos, por enquanto.



Arindo Pato Mota

sábado, 13 de março de 2010

MUSEU DO LOUVRE: TRADIÇÃO E MODERNIDADE




















"...fora em Paris, no Museu do Louvre, quando se encontravam naquela fila imensa que dá cor, movimento e justificação à Pirâmide" (In Alice no País do Faz-de-Conta, de Arlindo Mota)

sábado, 6 de março de 2010

SÃO GONÇALVES: POEMA PARA CIBELE

A seara está madura

os frutos prontos

a ser colhidos

nas mãos

da amizade

a ternura

dos amigos

que se deram.

I

Do olhar de uma

mulher

a luz que os homens

negaram

no corpo da musa

cibele

o renascimento

do amor almejado.

II

Mas é na hora

da partida

que o amor

mais se sente

da poesia

e do poeta

que marca

a alma

da gente.


São Gonçalves é uma talentosa poetisa, dotada de uma escrita límpida e despojada, a quem agradeço a amizade partilhada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

"UNA FURTIVA LAGRIMA"



Peguei na roupa de Domingo,

afivelei no rosto uma rosa vermelha

e parti, como quem já viveu.

No caminho, aliviado das estrelas,

guardei uma lágrima de reserva,

sem saber se tu aparecerias pronta

para me receber.

Foi assim que tudo aconteceu

eu acordei tendo a meu lado

o travesseiro húmido e não tinha chovido

naquele dia.



Foto e Poema: arlindo pato mota

*dedicado e ao estilo de Vania Lopez,
poetisa e artista plástica que muito admiro

sábado, 27 de fevereiro de 2010

NUANCES


"Ana Coelho e José Antunes, são dois autores com uma envolvente e genuína pulsão pela poesia. Na escrita e nos gestos, que de gestos também se constrói a poesia.(...)

Ana Coelho navega mais suavemente nas palavras, é, de algum modo, o lado assumidamente feminino do livro; José Antunes, de escrita comedida, apresenta mais arestas na leitura e na interpretação da sua simbologia. Comum aos dois, a contenção vocabular e arredia da adjectivação excessiva, que torna a sua poesia rigorosa e límpida, dotada de uma invejável coerência interna"

(Arlindo Mota, in Prefácio)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NAS LEVADAS



NAS LEVADAS

demiurga, a água

transborda

por sobre o próprio

corpo,

submergindo os dedos

que buscam

alento,

à medida que a torrente

se lhes escapa.


sorrateira, num ímpeto

de cantata,

penetra fundo,

como uma adaga

em peito aberto,

pela dor.



nas levadas,

os pássaros já não cantam

nas suas margens,

apenas ressoam

ecos, pouco audíveis,

da tragédia.




arlindo mota

foto: Turismo da Madeira


*As “levadas” são cursos de água à volta das montanhas, construídos pelo Homem nos primórdios da colonização na Madeira, para levar água aos terrenos agrícolas inacessíveis. Eram uma das atracções da Ilha.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

TRAÇADO OBLÍQUO





















A terra é fresca, entumecida,

O fruto escasseia ou está ausente,

Aproxima-se o tempo de partida.


Que nada impeça

O traçado oblíquo da razão,

Nem o riso da criança,

Nem a ternura de irmão.


Percorrida em traços largos,

Ao sabor do vento forte,

Por entre o Sul e o Norte,

Da minha imaginação.


Nela encontro o que procuro.



Foto e poema: arlindo mota

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

MARIAM: FOTOPOEMAS






mariam é uma das mais antigas companheiras da blogosfera e da sedadaspalavras em particular: de talentos multifacetados, da poesia à fotografia e à pintura, goza ainda da rara capacidade de gerar amizade e ânimo através do gesto e da palavra certa, no momento certo. Desde o início que fez também sua a personagem Cibele que aparece em muitos dos posts desta seda das palavras: agradeço-lho por isso e pelo magnífico fotopoema que lhe dedica (e a selecção da música das Celtic Woman que com sensibilidade escolheu). O outro fotopoema, corresponde ao primeiro poema que comentei no seu blog, pois na memória também desagua a amizade construída. apm

Celtic Woman - the Voice

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

FRUTOS PROMETIDOS

I

De súbito recolho as velas

Ao abrigo do porto, da memória,

Enquanto as águas cintilam prateadas,

Reflectindo as faces desejadas.

II

Seguros são os frutos prometidos,

Que colherás de tanto semeares,

Entre as searas abertas pelos dedos,

Que o vento ondulará quando quiser.



Foto e poema: arlindo pato mota

domingo, 7 de fevereiro de 2010

SEBASTIÃO DA GAMA: ARRÁBIDA



(...)
Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e ao que é do dia-a-dia...


Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama ("Poeta da Arrábida")

Em 7 de Fevereiro 1952, faleceu Sebastião da Gama, com 27 anos.Fica o modesto registo. Veja-se o blog da Associação Cultural Sebastião da Gama

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

AMIZADE




A Amizade


transporta-se no bojo

ou na raiz,

e, quando exígua,

está ao alcance

de uma mão,

pura,

é sua irmã,

e mesmo inerte

aperta-nos,

deixando uma marca,

húmida,

de ternura.



arlindo mota

sábado, 30 de janeiro de 2010

AUTOR DO MÊS: LUIZ PACHECO

Encontrámo-nos meia dúzia de vezes, separados pelo tempo e pela geografia: primeiro em Lisboa, na "Estampa", quando integrava a equipa dos amigos Manso Pinheiro que haviam adquirido a editora e Luiz Pacheco era um dos seus autores. Mais tarde em Setúbal, nos idos de 90, já o tempo havia cavado fundo na energia e capacidade criativa de LP, mesmo assim sempre de língua afiada para os que arvoravam a hipocrisia como sua matriz. Depois fui acompanhando as entrevistas que foram sendo publicadas e que eram a sua "prova de vida". Viveu o tempo suficiente para saber que o seu talento fora reconhecido. Morreu há dois anos, a 6 de Janeiro: Com ele morreu muito do pouco que resta de uma certa maneira de fazer literatura, de que terá sido o seu principal representante , em que a vida se confundia com a própria arte da escrita.apm

"Ora deixem-me que lhes diga: um cadáver não nunca tem terá razão, mesmo que a tivesse tido antes. Um estúpido um cobardola é para rir e chorar, porque a estupidez e o medo não têm medida. Um patareco dá-se-lhe um pontapé no cu, um parasita esborracha-se por nojo e a um folião fazemos notar que não lhe achamos graça nenhuma. E fugi dos frustados e falhados que é a malta mais tratante e castradora que existe. Mas um bebé! uma rapariga com um filho ao colo! os bambinos em volta! são os bichos mais exigentes e precisados de tudo. E há que lhes dar tudo. Eis, senhores, porque saúdo a manhã e faço gosto em a ver inda uma vez, eis porque a pardalada me incita. (...) Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes." Luiz Pacheco in A COMUNIDADE

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO: A OBRA DO POETA...



A OBRA DO POETA...

Na obra do poeta existe sempre

A sensação de estar incompleta,

Por mais que se esforce, faça ou tente,

A vida é limitada, curta e incerta...


Tocar os sentimentos, algo ingente,

Quão excessiva ambição é sua meta.

Escrever em rima, ou não, o quanto sente,

E se uma vez ao lê-lo em nós desperta


O sentir de um momento, plasmado

Em algo especial e..., tão diferente

Daquilo que é vulgar e consumado...


Algo inesquecível porque é arte.

Se tal for alcançado simplesmente...

Não lamente o poeta, quando parte...


António Boavida Pinheiro

O poeta António Boavida Pinheiro, que também usa o pseudónimo António dos Santos, a propósito da publicação do poema “Quando eu me for embora”, enviou a título de comentário poético, o seguinte poema que asedadaspalavras tem o maior prazer em aqui reproduzir, com os agradecimentos ao autor, cuja poesia e amizade muito aprecia.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OLHARES



OLHARES


olhei para ti,

como um escultor

(que não precisa

de matéria).

basta-me a dor,

para dar corpo

às formas

na memória



(inspirado na tragédia do Haiti)


Foto e poema: arlindo mota

BILHETE POSTAL: BRUGES (FLANDRES)



Ler um livro magnífico de C. Clément, A SENHORA, sobre o êxodo compulsivo dos judeus de Portugal, reinava então D. Manuel I. A primeira cidade de acolhimento, Bruges, na Flandres. Bela e fria, anuncia o Norte da Europa...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

QUANDO EU ME FOR EMBORA




Quando eu me for embora, levarei comigo

a madrugada e de meu pai, suas mãos rudes,

com que moldava, a golpes incisivos, um tronco frágil

insubmisso, sempre em sentido vertical.

De minha mãe, não esqueço, a ternura que mandava, disfarçada,

por entre o pão suado e a manteiga. Assim cresci.


Quando eu me for embora, também não esquecerei os luares

que percorri, envolto em ti, sem precisar de leito. Assim cresci.


Mais tarde, pouco mais, hei-de lembrar-me daquilo que não fiz.

Mas quando eu me for embora, é porque morri, cá dentro,

por não saber cuidar de ti, amor-perfeito.




Poema: Arlindo Mota
Foto: Pedro Soares

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

POEMAS DITOS POR VÓNY FERREIRA



O SEGREDO DAS PALAVRAS

O sonho, Cibele, é uma taça, uma flor ignota, um desejo imenso

que persiste, mesmo se a dor ao colhê-lo o ignore. Cativo, neste lugar,

perco a exacta noção do ser e do não ser, do tudo ou do nada,

( se é que o todo pode estar circunscrito à palavra…)


Procurarás as estrelas, que iluminarão o caminho. Se solitário, a luz é mais intensa.


Despojada de tudo, encontrarás o segredo das palavras:

ternura, amor, ou apenas sede e um sereno gesto a partilhar

na colheita de uma rosa brava.




DESEJO

Apetitoso o fruto que desejo,

Inominado, fresco, sedutor:

Prouvera fosse o tempo das cerejas,

Soubera ser o tempo do calor.

Das giestas não falo porque sei

O perfume agreste que despertam.



Estes poemas foram ditos pela poetisa Vóny Ferreira (que também coordenou o trabalho multimédia), na sequência de um trabalho que tem vindo a desenvolver no site Luso-Poemas com diversos autores. A excelência do trabalho, o empenho na sua realização, são o testemunho vital da sua generosidade e partilha. Aqui fica (e bem!) na Seda das Palavras: penhor de amizade e gratidão. arlindo mota

Voz: Vóny Ferreira
Montagem: Ana Sofia Ferreira
Poemas: Arlindo Mota

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009